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Capacidade de secadores de grãos: por que toneladas por hora não contam toda a história

A capacidade de secadores de grãos normalmente aparece em toneladas por hora. Entretanto, esse número isolado não informa quanto produto atingirá efetivamente a umidade desejada durante o mesmo período.

Na prática, um secador pode movimentar determinado volume mecanicamente sem entregar a mesma quantidade dentro do padrão de umidade necessário para armazenamento ou comercialização.

Além disso, a capacidade efetiva varia conforme o produto, as umidades inicial e final, a temperatura de secagem, a vazão de ar, as condições ambientais, o teor de impurezas e o uso ou não do resfriamento dentro do próprio secador.

Portanto, antes de comprar ou dimensionar um secador, o produtor deve fazer a seguinte pergunta: quantas toneladas por hora este equipamento consegue entregar na umidade desejada e nas condições reais da minha colheita?

O que significa a capacidade de um secador de grãos?

Durante a avaliação de um secador, compradores e vendedores frequentemente confundem diferentes conceitos de capacidade:

  • Capacidade estática: quantidade de produto que permanece dentro do equipamento.

  • Fluxo mecânico: quantidade que os sistemas de carga e descarga conseguem movimentar.

  • Capacidade efetiva de secagem: quantidade de produto que realmente atinge a umidade definida por hora.

  • Capacidade de evaporação: quantidade de água que o secador consegue retirar por hora.

A capacidade estática e o fluxo mecânico são importantes. Contudo, esses dados não revelam sozinhos o desempenho da secagem.

Por exemplo, um secador pode descarregar 20 toneladas em uma hora sem que todo esse volume apresente a umidade correta. Se o produto sair acima da especificação, o operador poderá precisar submetê-lo a uma nova passagem. Por outro lado, se os grãos saírem excessivamente secos, ocorrerão perda de peso comercial, maior consumo de combustível e possibilidade de danos ao produto.

A capacidade de evaporação representa um indicador tecnicamente mais consistente. Entretanto, as especificações comerciais raramente apresentam essa informação.

Ainda assim, o operador pode estimá-la por meio do fluxo de produto e das umidades medidas na entrada e na saída.

Em outras palavras, o secador não remove pontos percentuais de maneira abstrata. Ele retira uma quantidade determinada de água do produto.

Como a umidade inicial altera a capacidade de secagem?

Quanto maior a umidade inicial, maior será a quantidade de água que o secador precisará retirar de cada tonelada que entra no equipamento.

Para estimar essa quantidade, podemos utilizar a seguinte fórmula:

Água removida = massa recebida × (umidade inicial − umidade final) ÷ (100 − umidade final)

Nesse cálculo, a fórmula utiliza os percentuais de umidade em base úmida (b.u.).

Por exemplo, para 1.000 kg de produto úmido, encontramos os seguintes resultados:

Condição de secagem Água removida por tonelada recebida
20% para 13% aproximadamente 80 kg
25% para 13% aproximadamente 138 kg
30% para 13% aproximadamente 195 kg

Assim, para secar 1.000 kg de produto de 30% para 13% b.u., o equipamento precisa retirar aproximadamente 2,4 vezes mais água do que na secagem da mesma quantidade de 20% para 13%.

Se um secador trabalhar com 200 toneladas por hora na condição de 20% para 13%, ele retirará aproximadamente 16 toneladas de água por hora.

Nessa condição, se mantivermos a mesma capacidade de evaporação, o equipamento processará teoricamente apenas cerca de 82 toneladas por hora ao receber produto com 30% de umidade e entregá-lo com 13%.

Contudo, esse resultado representa apenas uma estimativa teórica e não considera eventuais perdas de matéria seca.

Portanto, o cálculo não substitui um ensaio de desempenho. Ele apenas demonstra por que a capacidade nominal diminui quando a umidade de entrada aumenta.

Conclusão

Em suma, um secador não possui uma única capacidade em toneladas por hora. A produção varia conforme a quantidade de água que o equipamento precisa retirar, o produto, o regime térmico, o uso do resfriamento e as condições reais da instalação.

Além disso, cada condição de operação pode produzir um resultado diferente. Por isso, a capacidade nominal deve sempre informar as umidades de entrada e saída e os demais critérios utilizados no cálculo.

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